A NOVA VELHA CARA DOS CLUBES BRASILEIROS

Compartilhe





O futebol está de volta, depois das férias e das pré-temporadas. Os clubes cumprem o velho ritual de dispensar alguns jogadores e contratar outros.

Em geral, vendem aqueles que se destacaram na temporada passada e buscam os chamados reforços.

Mas, nem sempre essas contratações podem ser rotuladas de reforços. Muitos são apenas apostas, que podem vingar ou não. Na maioria das vezes, os verdadeiros craques são negociados para o exterior e acabam repatriados antigos valores já em final de carreira ou que não deram certo no exterior ou mesmo os que sofreram graves contusões e procuram se recuperar.

Os clubes brasileiros, diante da eterna crise financeira que os atinge, não resistem a propostas que rendam algum bom dinheiro. E, assim, lá se vão nossos craques. Muitas vezes, sequer passam pela equipe principal.

Exemplos são as promessas vistas na recente Copa São Paulo. A maior delas, Vinícius Jr., do Flamengo, assim como outras revelações, já sofre o assédio dos clubes europeus. Dificilmente chegará a mostrar seu talento em gramados brasileiros.

Por conta desse panorama, o futebol brasileiro já não atrai tantos torcedores aos estádios. Exemplo foi a Copa da Flórida, mês passado, nos Estados Unidos. Apesar de disputada numa região dominada por latino-americanos e mesmo com a participação de gigantes brasileiros, como Corinthians, Vasco da Gama e São Paulo, exibiu jogos com o estádio praticamente vazio.

E não vamos nos iludir com a teoria de que o povo americano não se interessa por futebol, porque – quando entra em campo um time poderoso, cheio de craques – os estádios ficam lotados. Mesmo nos Estados Unidos.

Os clubes brasileiros precisam atuar mais como empresas, para que se fortaleçam e resistam um pouco mais à rotina de formar jogadores para negociar e lucrar. É preciso lucrar, sim, mas levando craques a campo e, com isso, atraindo o público e patrocinadores de peso. Está na hora de deixarmos de ser apenas fornecedores de matéria-prima para engrandecer cada vez mais os clubes do exterior.

Isso pode ser alcançado. Basta que se tenha planejamento, ousadia e profissionalismo. Quem sabe, um dia isso será uma realidade aqui no Brasil?

 

José Carlos Araújo


Compartilhe

Deixe seu comentário

comentários

Um comentário em “A NOVA VELHA CARA DOS CLUBES BRASILEIROS

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *